Luís Catarino, uma bênção da vida
O Luís encontrou na Sabedoria do Silêncio o modo de viver, na mais profunda intimidade pessoal, a inexorabilidade da sua condição vital, feita de intenso e recorrente sofrimento, a partir de certa altura da sua vida.
Era no silêncio que ele se recolhia. Recolhia e sofria, aguentando o corpo e fortalecendo a alma. Era também com o silêncio sobre a condição da sua saúde física que ele fazia a magia da alegria, da bondade e da tranquilidade quando se estava junto dele.
Perdi um amigo. Irreparavelmente. Ganhei um farol, que irradia a mais bela de todas as luzes, a iluminar o caminho da estranha religiosidade que pratico.
A mim cabe reduzir-me humildemente à dimensão da minha insignificância. Ao Luís caberá fruir o muito merecido repouso e a muito merecida paz.
É com uma sabedoria-sabor muito especial que recordo e repito os versos daquele menino abandonado pelo lado feliz da vida, versos que o menino leu, também no mais profundo silêncio, no dia do Pai de há alguns anos atrás, junto à campa de seu pai, e que - disse eu atrás neste blogue - um dia haveria de deixar escritos aqui.
Penso que é este o momento de o fazer.
Meu pai, meu paizinho,
Se te tiver ofendido,
Se me puderes perdoar,
Fico muito agradecido.
E, neste dia,
Se quiseres ouvir uma cançãozinha,
Deixa, deita-te e descansa,
Que eu sento-me aqui a teu lado
E canto-te baixinho.
Pois bem, o menino que escreveu estes versos foi um dos muitos que eu pude testemunhar se tornaram felizes por causa da bondade do Luís. O Luís conheceu estes versos mais ou menos na altura em que foram escritos. Deixei-lhos no consultório, um dia qualquer, misturados com outros relatos de outros meninos, que também tiveram a felicidade de conhecer a pessoa e o dom do Luís.
No que a mim me diz respeito, tenho vontade de me sentar muitas vezes a teu lado, Luís, cantar-te baixinho e fortalecer-me na tua luz.

Caro Fernando:
Ontem à noite decidi percorer s meus endereços de e-mail e partilhar com os amigos o meu pobre e simples blogue…
Enviei a alguns, entre os quais o inseri, não como alguém que está “à prova na amizade” como diz o texto de Ben Sirá. Não preciso dessa prova porque, tão simplesmente porque, quem fazia parte da vida e amizade do meu querido AMIGO LUIS, não precisa de mais prova alguma para ser meu amigo também.
Vim com toda a curiosidade visitar o seu blogue e… maravilha das maravilhas, este texto que um dia se dignou partilhar comigo…
A grandeza da sabedoria do silêncio que nos leva ao encontro e ajuda dos que mais precisam, mesmo que o mundo o não venha a saber…
Obrigado caro Frenando por fazer deste dia, pela recordação deste textos e da vida que ele transparece, um dia que volto a dedicar a quem tanta falta faz no meu caminho e amizade.
Também tenho saudades do meu Amigo, olho-o ali mesmo em frente, numa foto linda que os pais se dignaram oferecer-me… tenho saudades… Agora, junto do Pai, é ele meu Cardeal… malandro o Luís, adiantou-se a mim no encontro com o Pai e subiu de posto antes de mim no palácio de Deus.
Obrigado por este seu blogue que quero visitar mais vezes.
Com amizade, Albertino O.F.M.
Fernando,
Que grandiosa esta sua iniciativa. Para todos nós que sentimos Saudades do Luís é bom saber que podemos partilhar esta Saudade.
Ainda não consigo escrever ou falar do Luis sem Chorar. Mas muito rapidamente “o Luis me sussurra ao ouvido baixinho” Chorar, nem pensar para quê chorar…..CHERRIE..
Quantas vezes tivémos o consolo dele!
Recorda-mo-lo todos os dias.Desde sempre houve várias fotos na nossa sala pessoas de quem gostamos, momentos que recordamos….em familia com amigos e há umas que vão rodando,a do Luis era uma dessas.
Sempre que a minha empregada, muda aquela foto a minha filha Madalena, faz questão de colocar lá a do Tio Luis. Para nós crescidos não é necessário pois espiritualmente ele está sempre connosco.
Mas mais importante do que esta foto são as boas recordações que os meus filhos Luís e Madalena recordam do “Tio Luis”.
A nossa casa ficou mais vazia, sentimos falta daqueles assaltos às 0nze da noite à procura de uma sopa, ou simplesmente para ver se os dentes daquelas crianças estavam bem lavados. Normalmente antecipadas por uma caixa de bombons e seguidas duma sessão de cocegas.
Por vezes eu ficava furiosa com ele pois com combinavamos um jantar e depois o Luis não aparecia , porque surgiam n coisas e o ser Humano não pode estar em vários sitios em simultaneo. Como a vida muda , agora até desses momentos tenho saudade ….E agora o Luis consegue estar com varios amigos ao mesmo tempo.
Por vezes à noite olhamos para o Ceú e há sempre uma estrela que brilha para nós com mais intensidade, com um brilho diferente. Para nós é o Tio Luis que se juntou a tantos outros familiares e amigos .Brilham para nos dizer estamos aqui a olhar por vós.
Para mim, e no que está ao nosso alcance,como Amigos do Luis, devemos dar continuidade aqueles projectos do Luis, a solidariedade, o dar sem receber, o saber ouvir entre muito outros que cada um de nós ouviu e aprendeu com o Luis , mantendo sempre o que ele mais pediu A Sabedoria do Silencio!!!
Nas vesperas de partir para esta sua ultima viagem, o Luis presenteou-nos com uma mensagem, não nos disse nada de novo apenas escreveu aquilo que sempre nos transmitiu com uma SABEDORIA do SILENCIO!
Fernando, sou péssima a escrever!
Um abraço
Rosarinho
Rosarinho Catarino Tavares,
Sabe o que é a gente estar a ler um relato, um texto, e sentir que esse escrito faz-nos sentir o protagonista ali ao nosso lado, faz-nos sentir a sua respiração, faz-nos recuperar a familiaridade de momentos afectuosos?… Ler o seu escrito foi como receber a visita do Luís em minha casa, a visita de um amigo que a gente gostaria de receber em nossa casa todos os dias.
E diz a Rosarinho que é péssima a escrever!… Obrigado, Rosarinho! Eu também sei o que é a certeza / incerteza de o Luís aparecer. Mas hoje ele veio mesmo! Também penso no Luís todos os dias, creia. Mas hoje foi diferente, hoje a Rosarinho proporcionou-me estar com ele de maneira diferente. Juntou lembranças, fez-me recuperar familiaridades. Pois é… Foi diferente… Soube-me muito bem… Muito obrigado! Um grande beijinho!
Caro Fernando
Não me conhece e não o conheço. Ou, antes, não o conhecia até visitar esta página de que tive notícia hoje mesmo. Os amigos dos nossos amigos… nossos amigos são, diz a sabedoria popular e, de facto, já o sinto como um amigo. E este encontro, de um amigo que desconhecia, aconteceu porque o Luís deixou uma marca especial na vida de ambos, aquela marca que provinha da sua bondade, da sua afabilidade permanente, da sua tranquila alegria mesmo quando sofria.
A vida do Luís foi feita destes milagres de bondade, agora continuados depois que Deus o chamou.
O Luís permanece entre nós, não só na comovida recordação que dele guardamos e no exemplo que nos deixou da “sabedoria do silêncio” mas, afinal, também através deste ligar de pessoas que não se conheciam.
O Luís era meu Sobrinho, mas não era mais um sobrinho. Era Alguém que, vivendo, conquistou um lugar especial no nosso coração e que, agora, no Céu continua a dirigir sobre nós o seu olhar de bondade. Alguém, por isso, a quem posso pedir que interceda por mim junto do Pai, ele que “completou em si o que falta à paixão de Cristo”.
Um grande abraço, caro Fernando, e Bem-Haja por este rencontro com o Luís.
Henrique
Obrigado Fernando por esta página!
Meu caro Fernando:
Foi preciso esperar mais de nove meses para conseguir exprimir aqui o quanto emocionada fiquei ao ler o seu testemunho no blog que abriu para o Luís. Julgo que muitos, tal como eu, mal acreditamos que ele tenha já partido e ao virar uma esquina, ao ouvir o toque do telefone, ou uma chave a abrir a porta, parece que ainda hoje espero ouvir “mãe…”.
Contudo, a certeza de que ele partiu para o Céu, numa viagem mais longa do que as que adorava fazer, é o meu suporte para tentar superar a imensa dor que foi perder um filho como o Luís, sempre presente, sempre preocupado, mas sempre a sorrir.
Julgo que enfrento, o melhor que posso e sei, o dia a dia, com a ajuda fantástica que tenho da minha família e amigos, mas julgo também que a maior força me vem bem de cima e que é mesmo o Luís que ma dá. Disse-me a 12 de Setembro, na Basílica da Estrela, a Clara Castel-Branco (que trabalhava no consultório com o meu filho): “Parabéns! Foi um privilégio ter um filho como um Luís!” Jamais esquecerei estas palavras, pois é mesmo esse o sentimento a que tenho de me “agarrar”.
Mais uma vez, obrigada e a todas “as suas crianças” por quem o Luís tinha tanto carinho. Ainda estão os kayaks na quinta. Belos tempos!
Termino parafraseando um poema que vem ao encontro do meu estado de alma
Num deserto sem água
Numa noite sem luar
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua
Sophia de Mello Breyner.
Até sempre e, pensando no privilégio que todos temos de ter connosco um santo no Céu, com o Luís brindemos à Amizade.
Um beijo da
Madalena Catarino
[Ver apontamento de 12 de Julho de 2007, neste blogue]
Uma vez mais dei comigo a pensar na diferença que o Dr. Catarino era, foi e será em relação a outros…Quem sou eu para adicionar o que quer que seja no Seu Bolog, apenas uma paciente do Dr. Luis Catarino, uma rapaz muito estimado por mim, meu marido e meus filhos. Já não se encontram dentistas como ele, ou melhor pessoas como ele. Ainda hoje o recodamos e nele falamos com saudade.
O nosso respeito e Deus o proteja,
sandra franco e famíla