Thursday, March 19, 2009

No dia do Pai

Pus-me na Net à procura do poema do salgueiro à borda d’água, que o meu pai cantava aos netos, a embalá-los - é assim a lembrança que dele guardo, não me lembro de o ouvir cantar a canção do salgueiro aos filhos -, completamente dedicado e feliz nessa ocupação ao mesmo tempo tão paternal e tão maternal.
Antes de encontrar o poema (que mais abaixo reproduzo), encontrei estoutro, em boa hora, que aqui deixo, e que na família facilmente se perceberá porquê: Coimbra… a “cabra”… o Mondego… o comboio… Abrantes…
E desde já recomendo a visita ao blogue do seu autor, que saúdo agradecendo o poema oportuno:

UM BREVE ADEUS

Parto! Da minha Coimbra ao anoitecer
Talvez a “cabra” dê uma badalada
Que imagem tão linda de se ver
A alta universitária iluminada
Ou a luz que serve de guia
Naquele templo de sabedoria

No Mondego, correm abundantes águas
Que inundam todos os seu recantos
Quem sabe se de velho estudante são mágoas
Ou lágrimas de D. Pedro nos seus prantos

Há notas que uma guitarra entoa
Espelhada em sonhos de uma mocidade
Tocando na Utopia que por ali voa
Palavras de versos na eternidade

Mas na noite, a cidade esvai-se por fim
Na noite, da sua própria imensidão
Deixa muita, mas muita saudade em mim
Para sempre, gravada no coração

Coimbra, 6 de Abril 2006
Rui Lopes
(texto escrito no combóio de Coimbra para Abrantes)

E agora, o poema do salgueiro à borda d’ água, especialmente a pensar nos netos que, ao colo do avô Pinto, fixavam os olhos (enquanto os conseguiam manter abertos) na boca que lhes passava o encantamento da melodia:

O salgueiro à borda d’água
Dá-lhe o vento, balanceia
Quem tem seus amores na terra
Pela porta lhe passeia

O salgueiro à borda d’água
Perguntou ao amieiro
Qual dos amores é mais firme
O segundo ou o primeiro

Um abracinho, bem apertado
Para quem ama não é pecado
Não é pecado, não é, não,não
Um abracinho do coração

Posted by Fernando at 16:52:29
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