A menina com mãos de fada
Entreguei hoje na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação de Lisboa um texto que é o esboço de uma coisa que, se tudo correr bem, daqui a algum tempo assumirá o aspecto de uma tese de mestrado em Ciências da Educação. No documento que entreguei à Professora Ana Margarida Veiga Simão, a dedicatória que abrirá a futura tese é apresentada numa forma que já não deverá sofrer alterações até ao final.
Diz assim:
Um dia, há muitos anos,
uma menina estava na sala de aula a trabalhar e teve sede.
Pediu à professora que a deixasse ir beber água,
mas a professora, que constantemente censurava a menina
pelo seu fraco trabalho escolar, não deixou.
Outra menina, sua colega, concentrada no seu trabalho, levantou a cabeça
e deu atenção ao que se estava a passar.
Era uma aluna com muito melhor aproveitamento que a outra aluna.
Pouco depois, disse à professora que estava aflita
e pediu à professora que a deixasse ir lá fora fazer xixi.
Quando a menina voltou,
aflitivamente, tropegamente,
tentava conservar na concha das suas mãozitas,
umas gotas de água
que queria dar a beber à colega que tinha sede.
Essa menina, de mãos de fada,
que, naquele gesto, mostrou saber intuir
o mais profundo valor que a escola deve fazer existir,
é minha irmã.
A ela dedico este trabalho.
